sexta-feira, 1 de abril de 2016

"Nós queremos terra, pão e água. Só isso!" Ocupação Baixa Funda, da fazenda Marilândia, em Manga, MG: 84 famílias que ocupavam a terra há 18 anos foram despejadas pela 11a vez dias 29 e 30/03/2016.

"Nós queremos terra, pão e água. Só isso!"

Ocupação Baixa Funda, da fazenda Marilândia: 84 famílias que ocupavam a terra há 18 anos foram despejadas pela 11a vez dias 29 e 30/03/2016.
Veja um pouco de como era a comunidade da Ocupação da fazenda Marilândia, no município de Manga, no Norte de MG, ANTES DE SER DESPEJADA PELA 11a vez, dias 29 e 30/03/2016. Fizeram uma sexta-feira da paixão, mas construiremos uma domingo de ressurreição, pois conforme o sr. Wilson, de 73 anos, da Ocupação: "Nós queremos terra, pão e água. Só isso."


































Despejo de 84 famílias que há 18 anos ocupavam a fazenda Marilândia, no município de Manga, no norte de MG, fazenda comprada pelo dono da Rede de Supermercado BH: Injustiça, inconstitucionalidade, violência, agravamento do conflito agrário na região.

Despejo de 84 famílias que há 18 anos ocupavam a fazenda Marilândia, no município de Manga, no norte de MG, fazenda comprada pelo dono da Rede de Supermercado BH: Injustiça, inconstitucionalidade, violência, agravamento do conflito agrário na região.

Dias 29 e 30 de março de 2016, a Vara Agrária de MG/TJMG, o Governo de Minas Gerais (do PT), a PM/MG, o INCRA, por omissão, e o dono da Rede de Supermercado BH (latifúndio na cidade e no campo) despejaram pela 11ª vez, de forma injusta e inconstitucional, 84 famílias Sem Terra que há 18 anos ocupavam a Fazenda Marilândia, no município de Manga, no Norte de Minas. Foi em Manga a 1ª Romaria da terra e das águas de Minas Gerais, em 1996. Romaria que animou o povo a ocupar a fazenda Marilândia, um latifúndio de 2212 hectares com sérios indícios de grilagem de terra, indícios graves de ser terra devoluta, indícios de documentação esquentada em cartório. Fazenda que não cumpria sua função social.
Eis o número do processo judicial recheado de irregularidades, segundo a defensoria pública de MG: 0024.03.982.125-1. Sem respeitar o que exige o novo Código de Processo Civil: que se faça conciliação prévia antes de se decidir sobre reintegração de posse ou não, sem entabular conciliação na Mesa de Negociação do Governo de MG, o Governo de MG e PM/MG, com um mega aparato de força militar – mais de 100 policiais fortemente armados, com tratores, caminhões, ambulâncias etc – se colocou a serviço do latifúndio e mostrou o Estado opressor.
As 84 famílias da Baixa Funda, na fazenda Marilândia, já produziram muito na fazenda ocupada nos últimos 18 anos. Centenas de hectares de plantações estão na fazenda agora. Os Sem Terra terão o direito de fazer a colheita? As 84 famílias sofreram o 11º despejo. Sempre, após os despejos, as famílias reocupavam a fazenda. Sem audiência de conciliação na área do conflito agrário, a Vara Agrária de Minas determinou o 11º despejo, mesmo sabendo que o pretenso proprietário, Thales Dias Chaves, tinha vendido a fazenda para Antônio Taco ou Válter Arantes (o Valtinho), que é dono da Rede de Supermercados BH e que já comprou, segundo notícias na região, mais de 50 fazendas na região Norte de Minas.
Em centenas de hectares, as famílias têm plantações de mandioca, melancia, feijão, frutas, maracujá etc. Dezenas de casas de alvenaria foram derrubadas. Os depoimentos das pessoas despejadas são estarrecedores. Lágrimas e mais lágrimas. As mães pediam misericórdia. Uns dizem que o oficial de justiça dizia que era para só retirar os pertences, mas não era para derrubar as casas. Mas, policiais e o gerente da fazenda e o advogado do supermercado BH mandavam os tratoristas derrubarem uma a uma as dezenas de casas.
Assina, Comissão Pastoral da Terra - CPT/MG.

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